Mara Gabrili é vereadora em São Paulo e sua história é de constante transformação. Há 15 anos sofreu um acidente que a deixou tetraplégica e mesmo assim sua autoestima não se abalou. Militante das causas ligadas aos deficientes físicos, ela conversa com a equipe do Matéria Amorfa sobre um dos projetos que apoiou, CELIG (Central de LIBRAS) e as políticas públicas sobre acessibilidade aos deficientes físicos.
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Leia a entrevista transcrita abaixo:
Como foi o processo para implementar a CELIG e os projetos de lei?
Foi uma demanda do próprio segmento que chegou até mim. A idéia foi criar uma central que trabalhasse com todos esses pontos via web cam.
Houve algum obstáculo para implementar a CELIG?
Obstáculos tecnológicos. Porque por mais que a gente soubesse como, na hora de executar uma questão tão aprimorada como essa demandou bastante da PRODAM, por exemplo, o próprio 156 que trabalhou junto. E ir aprimorando, porque num primeiro momento as imagens elas vinham de uma forma muito ‘congelada’, e isso atrapalhava a comunicação porque a LIBRAS tem que ser fluente, e no final acaba virando outra coisa.
Nas viagens que você faz promovendo acessibilidade, quais as diferenças que você encontra nas políticas daqui e de fora?
Primeiro que tem diferença, cada país tem sua língua de sinais, e dentro de um próprio pais ela muda de região para região, como se fosse um dialeto. O que é uma pena (risos), porque se fosse uma universal, o surdo poderia viajar o mundo inteiro e estaria dominando a língua. A língua de sinais é muito construída na cultura que a pessoa está inserida. Eu estive em países mais velhos que o Brasil, que passaram por guerras e outras questões, até terremotos... Eles têm uma abordagem mais antiga com relação a pessoas com deficiência, e já têm muitas vezes uma postura diferente para o idoso, coisa que o Brasil está começando a aprender a fazer. Eu acho que existe uma abordagem diferente na raiz e no tempo. A gente tem uma secretaria da pessoa com deficiência que acabou de fazer cinco anos. No entanto em Nova York já existe há 35 anos, em Miami já existe há 30 anos. Lá nesse departamento de Miami, perguntar sobre calçadas, eles não sabiam nem responder, porque eles não têm esse problema.
Você acha que falta mais o que para consolidar uma acessibilidade maior aqui?
Informação para os legisladores fazerem leis que realmente melhorem a vida dessas pessoas, e não que melhorem a vida deles. Que chamem a atenção, e pareça que eles trabalhem para o segmento. Mas lei qualquer um faz, agora eu quero ver é fazer lei bem feita. Precisa de informação em todos os sentidos. Informação para o legislador, informação na iniciativa privada, para preparar bem, melhorar os espaços, as qualificações para receber essas pessoas. Informação nas escolas para receber melhor o aluno com deficiência, tanto no que diz respeito a acessibilidade física quanto pedagógica. Informação nas unidades de saúde, nos hospitais, para atenderem com dignidade todas as pessoas. Informação que qualifique todos os profissionais. Informação no terceiro setor, numa entidade que trabalhe para as pessoas com deficiência, se profissionalizar, para a própria entidade se qualificar para exercer esse trabalho para melhor atender esse público. Saber fazer um projeto, saber captar recursos, saber onde ir atrás desses recursos. Informação inclusive sobre quem são essas pessoas, onde elas vivem.
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